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Vitória da Natureza em Embú das Artes Vereadores aprovam Projeto de Lei preservando o “Coração Verde” de Embu |
![]() PROJETO DE LEI COMPLEMENTAR Nº 01/2006
A Presidenta da Câmara, Maria das Graças de Souza, parabenizou a casa pela decisão e falou da importância da participação popular e dos movimentos organizados. O Secretário de Meio Ambiente João Ramos lembrou que a retirada da Alínea C do Plano Diretor é um marco da participação e de união dos cidadãos, pois “todos nós lutamos pelos mesmos objetivos” e “as causas ambientais são questões apartidárias”. ![]() O movimento de preservação do “coração verde de Embu” ganhou força ao longo dos últimos meses culminando com o laudo emitido pelo Instituto Florestal no início de março. O trabalho de campo e a avaliação emitida pelo Instituto Florestal foram instrumentos importantes para a decisão do Poder Executivo. Atendendo à solicitação do Conselho da Reserva da Biosfera do Cinturão Verde da Cidade de São Paulo, o Instituto Florestal fez o diagnóstico preliminar dos remanescentes florestais na região da Rua Maria José Ferraz Prado, área indicada no Plano Diretor de Embu para a implantação do Corredor Empresarial. O relatório dos especialistas comprovou a importância da preservação dos fragmentos de Mata Atlântica da região, pois “1) a maior parte da biodiversidade local é dependente de floresta; 2) eles apresentam algumas espécies ameaçadas de extinção e outras exigentes ecologicamente; 3) oferecem recursos para espécies que se deslocam sazonalmente e; 4) a presença pode ser aproveitada para a educação ambiental e a alfabetização ecológica da população local (...)”. O Instituto Florestal encontrou 202 espécies vegetais nativas, sendo que sete apresentam alguma categoria de ameaça, e uma é considerada endêmica da região. Vale destacar que estas espécies não foram encontradas apenas nas florestas secundárias em estágio intermediário e avançado de conservação, mas também foram registradas nos fragmentos em fase inicial. Com relação à fauna foram identificadas duas espécies ameaçadas de extinção no Estado de São Paulo (Decreto Estadual Nº 42.838): o Sagüi-da-serra-escuro, Callithrix aurita, considerado em perigo, e o Gavião-pega-macaco, Spizaetus tyrannus, categoria vulnerável. Também foi comprovada, por relatos e fotos, a presença de outros animais que também estão na lista de espécies ameaçadas no estado, como a Araponga, Procnias nudicollis, o Pavão-do-Mato, Pyroderus scutatus, além do Bugio, Alouatta Guariba (Alouatta Fusca). Assim, segundo o Instituto Florestal, “ficou evidente que se trata de paisagem relevante para a proteção da fauna e que merece ser conservada”. O Instituto Florestal também emitiu parecer com relação aos recursos hídricos afirmando que os estudos precisam ser aprofundados, mas que “o corte raso e o aterramento da área em análise e a conseqüente construção e operação de empreendimentos industriais e comerciais podem comprometer as nascentes e os pequenos córregos que cortam toda a área, desfigurando toda a estrutura da paisagem ora existente e com impactos adversos sinergéticos de difícil mensuração no tempo presente”. O diagnóstico do Instituto Florestal no Embu demonstrou a grande importância dos remanescentes para a preservação da água e da biodiversidade da Região Metropolitana de São Paulo. Devido à necessidade desse trabalho em diversos locais, a equipe do Instituto Florestal foi ampliada e conta com novos especialistas para aprofundar os estudos nas áreas de entorno às Unidades de Conservação do estado. A aprovação do Projeto de Lei revogando o Corredor Empresarial em Itatuba foi uma grande conquista, não só para o município de Embu, mas para a cidade de São Paulo, pois as áreas verdes estão diminuindo a cada ano. Lembramos também que a vocação de Embu das Artes é o turismo ecológico, rural, histórico e artístico, que não depreda os recursos naturais, que traz divisas à nação, que proporciona empregos e sustentabilidade ao longo da cadeia de serviços. E como bem lembrou o Instituto Florestal “são necessários organizações e investimentos iniciais para que estes potenciais sejam transformados em ecoturismo, embora seja possível vislumbrar com clareza a viabilidade negocial do turismo ecológico em Embu (...)” ![]() Indaia Emília Jornalista 4781.1124 - 9502.0918 indaiaemilia@indaiaemilia.com.br www.seaembu.org |