Usuários querem PCs 'ecológicos', diz estudo

Consumidores de vários países estão dispostos a pagar mais por um computador que contenha menos substâncias tóxicas, uma pesquisa revelou.


17/03/06

 
Depósito de lixo na China  Foto: Greenpeace/Behring
Velhas tecnologias vão parar em lixões na China
    Consumidores de vários países estão dispostos a pagar mais por um computador que contenha menos substâncias tóxicas, uma pesquisa revelou.

    O público acredita também que dar fim aos aparelhos descartados deveria ser responsabilidade do fabricante.

    A divulgação da pesquisa, feita pelo instituto Ipsos-Mori para o grupo ambientalista Greenpeace, coincide com um anúncio , pelo fabricante de computadores Dell, de que vai parar de usar alguns produtos tóxicos em seus PCs.

    O estudo, feito em nove países, revelou que usuários de PCs na China estariam dispostos a gastar até US$ 197 (o equivalente a cerca de R$ 438) a mais por um computador mais ecológico.

    Na Grã-Bretanha, esse valor cai para US$ 117.

    No Brasil, mil pessoas foram entrevistadas. Destas, apenas 8% possuíam computadores.

    O estudo concluiu, no entanto, que os brasileiros, usuários ou não usuários, estariam preparados para pagar até US$ 78 extra por um computador mais ecológico.

    Custo ambiental

    Um relatório publicado pela Universidade da ONU em 2004 disse que para se fabricar um PC comum utiliza-se o equivalente a dez vezes o peso da máquina em produtos químicos e combustíveis.

    O mesmo relatório revelou ainda que a vida curta dos computadores estava gerando montanhas de lixo tóxico, principalmente em países como a Índia e a China.

    O problema dos computadores velhos está crescendo no mundo.

    Apenas nos Estados Unidos, 30 milhões de PCs são jogados fora todos os anos.

    Cerca de 70% dos metais pesados, como chumbo e mercúrio, encontrados em depósitos de lixo, vêm de computadores.

    A porta-voz do Greenpeace, Zeina al Hajj, disse que "os consumidores não apenas querem computadores mais ecológicos, mas estão dispostos a pagar mais por eles".

    "A decisão do (fabricante) Dell de remover (dos aparelhos) substâncias químicas danosas reflete uma mudança na indústria eletrônica na direção certa", acrescentou.

    Há muito tempo, o Greenpeace vem fazendo campanha para que a indústria da informática adote métodos de produção mais favoráveis ao meio ambiente.

    O fabricante Dell disse que até 2009 pretende deixar de usar retardadores de chama bromados e cloreto de polivinila (PVC) nos seus produtos.

    Outras empresas, entre elas a Hewlett Packard, Nokia, Samsung e Sony Ericsson, também se comprometeram a deixar de usar substâncias químicas tóxicas em seus produtos em um futuro próximo.

     
 

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