A polêmica gerada pela Prefeitura de Embu das Artes com relação ao Plano Diretor,
despertou o interesse de diversos entendidos na área de preservação ambiental no Brasil
e fora do Brasil.
Mariano Cyganczuk, ecologista, ativista das causas ambientais,
considera a questão da proteção das áreas de Mata Atlântica e todas as reservas
que ainda restam no Brasil, um dos trabalhos mais importantes que devem contar
com a dedicação incansável de todo o povo brasileiro.
Mariano Cyganczuk
foi um dos presidentes pioneiros,fundadores da APREFFA em Curitiba,
entidade esta, hoje inexistente, que alavancou suas atividades no início dos anos 70,
e que foi legalizada como Associação de Preservação da Flora e da Fauna em 1976.
Mariano Cyganczuk por muitos anos dedicou parte de sua vida palestrando para milhares de pessoas,
estudantes de todas as idades, em uma época em que a maioria não conhecia ainda o significado da palavra ecologia.
Ministrou palestras para crianças em diversas escolas no Paraná, inclusive na faculdade de medicina de Curitiba,
Rio Grande do Sul e até mesmo em Embu das Artes, onde, lembra Mariano Cyganczuk, em um dia conseguiu instruir 800 crianças,
em turmas de 200 por vez, sendo dois turnos na parte da manhã e dois turnos na parte da tarde. Hoje estas crianças
tem bem mais de 30 anos e muitas delas devem estar atuando na defesa de nossos recursos naturais em todo
o Planeta, reitera Mariano Cyganczuk. No Rio Grande do Sul, palestrou em reuniões na AGAPAN, na época em que
Lutzenberger era presidente.
Defender e preservar os animais e recursos não significa não utiliza-los para sua
manutenção e alimentação, mas significa fazer uso correto e com respeito para que jamais haja escassez. Os recursos
como das reservas de Embu das Artes ultrapassaram seu limite de devastação, estas sim devem ser estudadas por
especialistas sérios e definitivamente preservadas para o bem do todo.
Quando os primeiros colonizadores chegaram ao Brasil,
a Mata Atlântica cobria uma área superior a 1,29 milhão km2,
cerca de 15% do país, e estendia-se ao longo da costa brasileira,
em áreas de 17 Estados. Hoje, estima-se que reste menos de 8% de
sua área original, em situação crítica e rítmo acelerado de devastação.
por
Ana Ikeda
Do UOL Notícias
Em Embu das Artes (SP)
A cidade turística de Embu das Artes, a cerca de 20 quilômetros de São Paulo, decide nesta segunda (18) se vai adotar uma alteração em seu Plano Diretor que permitirá a instalação, em áreas de proteção ambiental, de um corredor de empresas e indústrias. Ambientalistas condenam a proposta, alegando que a mudança no zoneamento prejudica mananciais dos sistemas Alto Cotia e Guarapiranga e, consequentemente, o abastecimento de água para 6,6 milhões de pessoas na região metropolitana de São Paulo.
A audiência pública final para aprovação do projeto de lei complementar que alteraria o Plano Diretor, em 27 de junho, foi suspensa após ONGs de defesa ao meio ambiente conseguirem uma liminar do Ministério Público Estadual. As entidades alegaram que não houve tempo para analisar o novo zoneamento. Caso aprovado na audiência pública final, que foi remarcada para esta segunda (18), o projeto segue para análise da Câmara Municipal.
De acordo com a minuta que altera o Plano Diretor da Cidade, a Zona de Corredor Empresarial (ZCE) terá largura de 150 metros contados a partir do eixo de seis estradas localizadas nas Áreas de Proteção Ambiental (APA) e de Mananciais (APM) nos bairros de Itatuba, Ressaca, Capuava e Jardim Tomé.
No local, uma área de aproximadamente 3 milhões de m² (equivalente a 300 campos de futebol) calculam os ambientalistas, serão permitidas atividades industriais de baixo e médio impacto, empresas de tecnologia e de logística, além de comércio, serviços e turismo.
“Essa intervenção no município será maior ainda que a do Rodoanel”, afirma Leandro Dolenc, presidente da Sociedade Ecológica Amigos de Embu. Segundo ele, a prefeitura ignorou as discussões feitas pela população nas 39 audiências públicas sobre o Plano Diretor, além de não ter apresentado o novo zoneamento nessas reuniões. “Não somos contra investimentos nas áreas de proteção, o que defendemos é seu desenvolvimento sustentável. Além disso, não adianta achar que toda cidade no entorno de São Paulo tem de ser galpão industrial”, afirma Dolenc.
Por
Indaia Emília
Jornalista e educadora
Assessoria de Comunicação SEAE
Pipoca, música e palhaço. Trilha na mata, plantio de árvores e muita informação.
Recreação e educação ambiental marcaram o dia 22 de setembro
na Fonte dos Jesuítas em Embu das Artes!
Diversão, aprendizagem e entusiasmo num encontro marcado para plantar um mundo melhor!
A Sociedade Ecológica Amigos de Embu – SEAE, no dia 22 de setembro, durante a comemoração do Dia da Árvore e inauguração do Viveiro Florestal de Nativas da Mata Atlântica, na Fonte dos Jesuítas em Embu das Artes, promoveu inúmeras atividades com os visitantes.
A programação começou por volta das 10h com a Trilha na Mata Atlântica onde os participantes tiveram a oportunidade de relaxar e desfrutar alguns momentos de paz junto à natureza.
Muitos chegaram no animado trenzinho que veio do centro da cidade.
As apresentações culturais descontraíram o público e enriqueceram o evento!
Na programação, a inauguração do Viveiro Florestal de Nativas da Mata Atlântica e o plantio de sementes e árvores nativas foram o ponto alto de evento, pois segundo Valéria Janny, voluntária da SEAE, o objetivo é reproduzir, cuidar e doar mudas para as escolas, principalmente para as que estão participando da Agenda 21, e recuperar áreas degradadas da região, afinal todos nós precisamos ajudar a reconstituir nossas florestas.
A Sociedade Ecológica Amigos de Embu – SEAE tem 35 anos de atuação participando ativamente das lutas a favor do meio ambiente, preservando os remanescentes de Mata Atlântica da região, os mananciais, a fauna... e hoje também atua fortemente em projetos de educação socioambiental.
Escolas, ONGs e Associações que tiverem interesse em agendar visitas monitoradas na Fonte dos Jesuítas entrem em contato com a Sociedade Ecológica Amigos de Embu – SEAE - (11) 4781.6837, de segunda a sexta, das 9h às 17h - contato@seaembu.org.
Nos últimos anos pergunta-se de forma cada vez mais enérgica se as mudanças climáticas globais ocorrem ou não segundo ciclos naturais; até que ponto nós, humanos, contribuímos para tais mudanças; que perigos são provocados por estas e o que pode ser feito para preveni-las.
Estudos científicos demonstram que quaisquer alterações na temperatura e nos ciclos de energia em escala global poderiam significar uma ameaça generalizada para todas as pessoas em todos os continentes.
Também é óbvio, com base nas pesquisas publicadas, que a atividade humana é uma causa de mudança; só que não sabemos qual o tamanho da contribuição específica desta atividade. Mas, é realmente necessário conhecer o tamanho desta relação de causa e efeito com uma precisão que chegue ao último ponto percentual? Ao aguardar por uma precisão incontestável, não estaríamos apenas perdendo tempo, quando poderíamos estar tomando medidas que são relativamente indolores quando comparadas àquelas que teríamos que adotar após mais postergações?
Talvez devêssemos começar a enxergar a nossa estada temporária na Terra como um empréstimo. Não pode haver dúvida de que nas últimas centenas de anos, pelo menos, o mundo euro-americano tem acumulado uma dívida, e que agora outras partes do planeta estão seguindo esse exemplo.
Agora a natureza está fazendo advertências e exigindo que nós não só contenhamos o crescimento da dívida, mas também comecemos a pagá-la. Não há muito sentido em questionar se contraímos um empréstimo excessivo, ou perguntar o que aconteceria se adiássemos o pagamento. Qualquer pessoa que tenha uma hipoteca ou uma dívida bancária pode facilmente imaginar a resposta.
Os efeitos das possíveis alterações climáticas são difíceis de se estimar. O nosso planeta nunca esteve em um patamar de equilíbrio do qual pudesse se afastar devido a determinada influência, humana ou não, para depois, no momento apropriado, retornar ao seu estado original.
O clima não é como uma espécie de pêndulo que retornará à sua posição original após um certo período. Ele evoluiu de maneira turbulenta no decorrer de bilhões de anos rumo a um complexo gigantesco de redes, e de redes no interior de outras redes, nas quais tudo está interligado de diversas formas.
As suas estruturas jamais retornarão precisamente ao estado em que se encontravam há 50 ou 5.000 anos. Elas só sofrerão alteração para um novo estado, que, contanto que a mudança seja reduzida, não implicará necessariamente em qualquer ameaça à vida.
Porém, mudanças de grande magnitude poderiam ter efeitos imprevisíveis no interior do ecossistema global. Em tal caso, teríamos que nos perguntar se a vida humana seria possível. Como ainda prevalece tanta incerteza, é necessária uma grande dose de humildade e circunspecção.
Não podemos iludir a nós mesmos indefinidamente, afirmando que nada está errado e que podemos manter alegremente os nossos estilos de vida consumistas, ignorando as ameaças climáticas e adiando uma solução.
O fim do mundo foi antecipado diversas vezes no curso da história e, é claro, nunca chegou. E também não chegará desta vez. Não devemos temer pelo nosso planeta. Ele estava aqui antes de nós, e muito provavelmente continuará aqui depois dos seres humanos. Mas isso não significa que a raça humana não esteja correndo sério risco.
Como resultado dos nossos esforços empreendedores e da nossa irresponsabilidade, o nosso sistema climático pode não deixar um espaço para nós. Se adiarmos as ações, a margem para a tomada de decisões - e, conseqüentemente, para a nossa liberdade individual - poderá ficar bastante reduzida.
* Vaclav Havel é ex-presidente da República Tcheca. Traduzido do tcheco por Gerald Turner.
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